Faz tempo que venho desistindo de mim mesma. Joguei fora a maioria dos meus chamados “hobbies”, que nada mais eram do que um exceder de minha alma. É por meio deste texto, portanto, de caráter tão quanto sincero quanto introdutório, que inicio uma nova fase — e um ressurgir — por meio do que chamarei de O Quarto.

O Quarto é para onde vão todas as coisas; é para onde sempre fui. Em O Quarto encontrei meu refúgio. Mesmo solitário de seu próprio modo, ele é a expressão máxima de minha essência interna. Livre de julgamentos e censuras, O Quarto é o local na qual me encontro nos momentos de maiores aflições, afundada dentro de minhas próprias angústias. O Quarto é, assim, uma busca por ser vista e ouvida. Tudo o que nele entra, não sai mais, garantindo, assim, o conforto do anonimato.


Há mais ou menos 3 anos, me questionei pela primeira vez se seria capaz de amar sem me amar. Adentrei em meu primeiro relacionamento com esse fantasma nas costas e talvez, só talvez, apenas tenha percebido a dura realidade com a experiência.

Não me entenda mal, não sou qualquer desacreditada no amor.

O motivo que deveria temer nunca foi a falta de amor próprio; era meu vazio de propósito. Passei por muitas experiências traumáticas de apego. Não faz muito tempo que — finalmente — venho refletindo sobre elas mas, com certeza, moldaram significativamente meu modo de enxergar as relações e o amor — enquanto conceito.

Esse, como sempre, é apenas…


Eu fico deprimida por estar deprimida. Fico deprimida por estar deprimida e mais deprimida porque, por estar deprimida, não cumpro minhas tarefas. Fico deprimida por não cumprir minhas tarefas, deprimida por estar deprimida e somente deprimida como um estado existencial. Vivo deprimida e mesmo assim ainda me resta uma alegria de viver. A alegria de viver me faz cumprir minhas tarefas — pela metade. Então fico deprimida por fazer o mínimo em situações específicas. A alegria de viver surge para garantir: melhor o mínimo do que nada! Então me deprimo por quem não dá conta nem do mínimo. Deprimida deprimida…


Para mim o mais difícil no luto é continuar existindo. A morte é um conceito abstrato mas a vida é apenas a vida. Você existe e logo… Existe. Não há muito que se possa fazer sobre. Levante-se, tire a poeira do seu traseiro, recomece e reinicie. Você está vivo e é provável que continue existindo. Você existe e o outro não. Que absurdo que calúnia! Por que não fui eu no lugar dele? Por que tenho que continuar nesse inferno? Viver é sofrer; são angústias mas também são prazeres. É um paradoxo ambulante que te puxa de um lado para…


Desconfio que a parte que me falta nunca será preenchida. Não importa o quanto me esforce, o quanto desbrave os quatro cantos do mundo, o quanto me conheça, quantos amigos eu tenha, quantas relações sólidas mantenha… Talvez seja um vazio que exista por si só. Um vazio que nunca foi preenchido para esvaziar-se novamente como acreditava. Poderia dizer que ele é onipresente. Está em cada lugar e em cada pessoa que conheço. Que vazio é esse? De onde veio? Talvez a resposta não importe mais quanto pensava — ou quanto desejava. Talvez não exista resposta, talvez ele me assombre até a minha morte. Sou capaz de lidar com ele? De conviver com ele? Um vazio pode ser confortável? Pode ser um espaço de criação e significação? Nascem lótus de vazios também? Existe algo em mim que se utilizará desse vazio?


precisamos conversar. Não, não vou partir-me. Ambos sabemos como foi difícil reunir nossos pedaços… montamos, calmamente desesperados e desorganizados nossa própria autoimagem. Foi complicado; em vários momentos desejamos ser outra, outra, outra… coisa além do que era apresentado. Não sabíamos exatamente o quê; apenas não queríamos ser nós mesmos. Qualquer coisa, qualquer coisa, qualquer um!, seria melhor do que ser o que éramos.

Contudo, infelizmente, ainda o somos. Eu e você, espelho, nunca entramos em um acordo sobre quem está certo. Brigamos a todo instante por causa de nossas próprias percepções e projeções pessoais. Somos levados constantemente ao êxtase e…


Uma apreensão que consome as horas. O tempo passa e passa, não perdoa, como já bem sabemos. Meus sentimentos, amontoados em pares opostos, disputam espaço na consciência. Meu Id insiste em manter-se fiel a seus instintos… seus desejos de afeto, atenção, carinho… [posse?]

Já meu ego, sem mais nem menos, coordena minha impulsividade. Respeitoso com minhas necessidades mas sempre ponderoso com o externo, faz com que me detenha no fim da frase. Apago… reescrevo… meu superego alerta: é totalmente desrespeitoso, tem certeza? Já nem tenho, ah, se tivesse! Ceder ao Id é tão mais fácil!, mas tanto menos certeiro.

Desejo…

The Room

O Quarto é para onde vão todas as coisas; tudo nele entra, nada dele sai.

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